Jack Dorsey cumpre sua promessa: o Bitcoin um dia estaria no centro dos pagamentos e do comércio cotidianos.
Esse dia chegou. 10 de novembro de 2025, Quadrado — subsidiária de Bloquear (anteriormente Square Inc.) — anunciou o lançamento oficial de Pagamentos em Bitcoin via Lightning Network, diretamente de seus terminais.
Essa inovação agora permite que milhões de comerciantes aceitem Bitcoin como qualquer outro pagamento sem contato, simplesmente escaneando um código QR.
O gesto pode parecer trivial. Mas é histórico. Pela primeira vez, uma gigante dos pagamentos tradicionais está usando Bitcoin. uma opção nativa e fluida no varejo físico. Não é um truque. Não é um plugin. Mas uma integração perfeita, projetada para durar.
Um lançamento concreto e ambicioso
O comunicado oficial à imprensa, publicado no site da Square, detalha a implantação: os comerciantes americanos agora podem ativar a opção “Aceitar Bitcoin” no aplicativo Square.
As transações são concluídas em um instante graças ao Lightning Network, e acima de tudo — eles são isento de taxas de processamento para 2027.

Uma forte decisão estratégica, em um momento em que os comerciantes ainda pagam entre 2 e 3% de comissão em cada transação com cartão.
Melhor ainda, a Square está introduzindo um novo recurso chamado “Converter vendas em Bitcoin”, que permite que qualquer comerciante converta automaticamente parte de suas vendas em BTC.
Até 50% da receita diária pode ser reinvestida em Bitcoin, sem qualquer esforço ou conhecimento técnico. Um gesto simples, mas com imenso simbolismo: pela primeira vez, uma empresa pode acumular Bitcoin por meio de vendas, como faria com um fundo de reserva.
A visão de Jack Dorsey de “Bitcoin First”
Desde que deixou o Twitter, Dorsey nunca parou de defender uma ideia radical: o Bitcoin não é um ativo especulativo, é o protocolo monetário do futuro.
Sob sua liderança, Block construiu um verdadeiro ecossistema em torno dessa crença. Existem Pagamento com Visa ou Mastercard, que democratiza a compra de Bitcoin nos Estados Unidos; bitkey, uma carteira de hardware de código aberto para autocustódia; e Espiral, um laboratório de pesquisa dedicado ao desenvolvimento da Lightning Network.
A Square completa esse quebra-cabeça: o tijolo do “pagamento”, o elo entre o mundo digital e o mundo real.
“O Bitcoin não precisa de permissão para funcionar, ele só precisa ser usado”, disse Dorsey recentemente.
Com a Square, ele não está mais apenas falando sobre isso. Ele está criando a infraestrutura que torna isso possível.
Como funciona na prática?
Na prática, o processo é desconcertantemente simples.
O comerciante habilita a opção Bitcoin em seu painel do Square. Quando um cliente opta por pagar em BTC, uma Código QR Lightning aparece na tela do terminal. O cliente o escaneia de sua carteira (Cash App, Wallet of Satoshi, Muun, Phoenix, etc.) e a transação é validada em uma fração de segundo.
O comerciante pode então decidir se quer manter os bitcoins recebidos ou convertê-los imediatamente em dólares.
Tudo acontece dentro do mesmo ecossistema, sem intervenção bancária, sem hardware adicional e sem intermediários. A experiência é fluida. Invisível, até. E é exatamente isso que a torna tão poderosa.
Bitcoin finalmente entra nos cofres
Até agora, o Bitcoin permaneceu confinado ao mundo dos aplicativos e das trocas on-line.
A iniciativa da Square é revolucionária. Ela devolve ao Bitcoin o que ele sempre foi concebido para ser: uma moeda, uma ferramenta de pagamento ponto a ponto, utilizável na vida cotidiana.
Para os comerciantes, o apelo é óbvio. Os pagamentos em Bitcoin via Lightning são praticamente gratuitos, liquidados instantaneamente e não envolvem nenhuma autoridade central.
Mas além dos números, é uma nova filosofia do comércio que está surgindo: a de uma troca direta e livre entre cliente e vendedor. Uma economia sem atrito, sem autorização, sem intermediários financeiros.
Limites… mas imenso potencial
O lançamento permanece por enquanto reservado para os Estados Unidos, com a notável exceção do estado de Nova York, que ainda está bloqueado por restrições regulatórias.
A Square também ressalta que os pagamentos em Bitcoin estão sujeitos aos mesmos riscos de qualquer criptomoeda: volatilidade, irreversibilidade e tributação incerta.
Mas, apesar dessas limitações, o desafio se estende para além dos EUA. O que a Square está testando hoje em seu mercado doméstico poderá ser adotado amanhã por outras fintechs na Europa, América Latina ou África — regiões onde o Bitcoin atende a necessidades monetárias reais: inflação, controles de capital e exclusão bancária.
Um passo gigante para a Lightning Network
A escolha da Square de usar o Lightning Network não é trivial.
Este protocolo, frequentemente apresentado como a “segunda camada” do Bitcoin, permite que pequenas quantias sejam enviadas rapidamente, por taxas mínimas.
Ao integrar o Lightning a uma rede de milhões de comerciantes, a Square está oferecendo ao protocolo um novo campo de testes: o do comércio de massa.
Cada café pago em BTC, cada transação na loja se torna uma prova viva da viabilidade da rede.
Esta é uma vitória silenciosa, mas decisiva, para a ampla adoção do Bitcoin.
Uma lição para a indústria: a adoção é construída, não decretada
Enquanto muitas empresas de “cripto” multiplicam tokens, promessas de retorno ou metaversos abortados, Jack Dorsey segue outro caminho: o lento, paciente e rigoroso.
Ela constrói, tijolo por tijolo, um ecossistema que respeita os valores fundamentais do Bitcoin: soberania, transparência, descentralização.
E essa consistência está começando a dar frutos.
Este lançamento não é um anúncio de marketing. É uma infraestrutura funcional, já implantado, já utilizado.
Prova tangível de que o Bitcoin não é mais uma utopia digital, mas uma moeda em movimento.
Conclusão: o código entra na realidade
Com essa integração, o Bitcoin atinge um marco simbólico. Ele deixa as plataformas e os livros de pedidos para entrar na vida cotidiana, no caixa da floricultura, da padaria ou do café local.
A Square não fala sobre adoção: ela a implementa.
E Dorsey, fiel ao seu papel pioneiro, continua a escrever o que a história talvez recorde como a maior revolução financeira desde a invenção do cartão bancário.
O Bitcoin não precisa mais de promessas. Ele tem ferramentas.
E a partir de novembro de 2025, finalmente terá terminais.