Por vezes, por trás de um simples "investimento industrial", está em jogo uma parte do futuro tecnológico e energético de um país. É precisamente o que parece estar a acontecer hoje em França com a subsidiária. Exaion, a divisão de "computação de alto desempenho e blockchain" da EDF, e a oferta de aquisição da gigante americana Participações MARA.
Este caso cristaliza questões muito mais amplas do que a simples transferência de ações: soberania digital, valorização dos excedentes de energia nuclear, mineração de bitcoin como alavanca industrial, tudo isso no cerne de um segmento da França que deseja manter o controle de sua infraestrutura crítica.
A aquisição da Exaion pela empresa americana MARA
A empresa Exaion foi lançada pela EDF para aproveitar o potencial de sua infraestrutura, como usinas nucleares, barragens e linhas de alta tensão, em computação de alto desempenho (HPC), computação em nuvem soberana e, potencialmente, mineração de criptomoedas.
Por outro lado, a MARA Holdings é uma importante empresa americana no setor de mineração de Bitcoin. Em 2025, a empresa americana propõe adquirir 64% do capital da Exaion (com opção de aumentar para 75%). acordo EDF Consistiria na venda de 64% da Exaion para a Mara por 168 milhões de dólares.
O governo francês, por meio da Direção-Geral do Tesouro, iniciou um procedimento para controlar os investimentos estrangeiros.
Pontos de atrito: por que algumas partes interessadas estão preocupadas
• Cláusula de não concorrência
Segundo diversas fontes, o acordo exigiria que a EDF se abstivesse, por 24 meses, de quaisquer atividades de computação de alto desempenho ou computação em nuvem que concorram com a Exaion. Isso inclui potencialmente mineração, IA e computação em nuvem. Para uma empresa consolidada como a EDF, isso significa congelar parte de seus esforços na corrida pela inovação.
• Excedentes de energia e mineração
As usinas nucleares francesas geram excedentes em determinados momentos. A mineração de Bitcoin, que oferece flexibilidade no consumo, pode ser usada para aproveitar esses excedentes e estabilizar a rede elétrica. Se a Exaion passar a ter controle externo majoritário, a França poderá perder essa vantagem estratégica.
• Lei da Soberania Digital e da Nuvem
Confiar infraestruturas sensíveis a uma empresa americana levanta outras questões relacionadas com informações pessoais: acesso a dados, dependência tecnológica e influência geopolítica. Mesmo que a proposta mencione apenas investimento financeiro, é evidente que o impacto vai muito além disso.
Reações e a proposta de alternativa francesa
Em resposta a essa aquisição, formou-se um movimento em torno de empreendedores de blockchain, membros do parlamento e partes interessadas da indústria de mineração francesa, representados, entre outros, por Sébastien Gouspillou, o CEO da Centro de dados BigBlock e Florent Gabriel de Bolha.
O ex-ministro da Economia, Antoine Armand, denunciou, em particular, o risco de "ldeixando de lado joias tecnológicas soberanas, nascidas e desenvolvidas na França. ", alertando contra uma forma de venda estratégica a preço de banana.
Segundo o Instituto Nacional do Bitcoin (INBi), o consórcio francês FlexGroup transmitiu uma contraproposta à EDF para manter o Exaion “100% francês”.

O desafio é claro: oferecer uma alternativa que liberte a EDF da cláusula de não concorrência e permita à França explorar seu potencial energético e digital sem se comprometer com a concorrência.
Por que isso preocupa investidores e cidadãos?
Essa questão não se resume apenas à energia. Ela afeta as seguintes áreas:
- Mineração de Bitcoin e outras atividades de mineração global: a França pode ou não ter um papel nesse mercado.
- Nuvem soberana e dados estratégicos: quem controla os servidores? Quem opera os algoritmos?
- Energia nuclear francesa: criação de valor, flexibilidade, excedente. A questão da criação de valor da eletricidade em geral.
- Soberania tecnológica: em um mundo digitalizado, permanecer dependente tem um custo elevado.
Conclusão
O que está em jogo para a Exaion, a MARA e a EDF é uma questão fundamental: Será a França espectadora de sua própria revolução energética e digital, ou protagonista?
Para as empresas de mineração na França, a aquisição da Mara representa uma preocupação maior em relação à soberania digital e energética da França.
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